Sunday, December 16, 2012

odociaba!

Fascinada pela imensidão do mar
eu menina pescadora
às vezes esqueço de ter de voltar
Até que vento vem e venta forte
Empurra vela além do intento
Graçamente me agrada e pára
de fronte ao mel desses coqueiros

"iemanjá"
Paris 2009






Friday, September 28, 2012

Sertaneja


Sertaneja


Ah meu sertão..

Carrancudo e pedregoso
Eu tinha um tanto de mundo pra escolher
Mas já queria minh'alma sertaneja
Quando nomeada para chãos cardosos
Vir dançar por essas bandas

Para em meio a tanta secura
Me alegrar com coisa miúda
E pagar promessa em dia de chuva e fartura


Sunday, September 23, 2012

Caminhante de Desertos

Caminhante de Desertos




Intimada a caminhar por desertos
A vida caridosa ao menos me deu solo
Chãos quentes e secos
Beirando o sol a pino
Sou sonho solitário nos chãos que piso

Antes habitar escaldante deserto
A fingir-me outra perante os olhos sociais
Faço da minha cabeça salão
Para sentir e dançar
Ocultada por aceitáveis véus
Seguindo os sons que cantam meus tornozelos

Encantando-me comigo mesma
Danço sob véus
Canto o meu silêncio
Estou em todos os lugares
Meu deserto cabe aonde meu coração for

Tuesday, July 24, 2012

O Tempo


O TEMPO

Fazendo Sol, 2012


Certo dia me afundei em palavras aleatórias em busca de compreender o Ritmo que vibrava em meus compassos. Já havia visto em diversos momentos a aceleração pertinente, o desejo feroz e todo o mecanismo em meus resultados. Palavras sintetizavam livros já lidos, toques despertavam olhares perdidos. Aprendi outro dia com um bem velho amigo que por mais que corresse, um pé havia de vir depois do outro como as coisas assim são naturalmente. O cair revirou-se em paradoxo e a partir desse dia ficou impossível não pisar os dois pés no chão. Já tive menos asas. 

No meio dessas palavras dispersas surgiram entendimentos, significados. Vi imagens, busquei modelos. Vi um homem, alto cigano, sábio, correndo por todos os lados, cristalizando encaixes. A essa altura não se aprendia mais como dançar, o homem era o coreógrafo. Ensinou-me a percebê-lo, em sua arte robusta, desenhada, lapidada. Dançamos enamorados. Pude sentí-lo tão dentro de mim, que tornou-se irrestível não acompanhar o seu encanto. Era fortaleza, tronco, segurança. Embalou-me em seus braços. Encantou-me com sua postura sedutora, robusta. Em grande enlace, dançamos apaixonados. Fechei os olhos tentei seduzí-lo em minha dança intensa. Mas abri os olhos. Vi o mundo. Havia um mundo. 

Haviam pessoas, haviam danças, coreografias. Haviam tantos outros... E foi nesse dia que entendi que se dançassemos tão apaixonados como de hábito, acabaríamos não acompanhando a festa que ali rolava no grande salão do mundo. Ocupamos um menor espaço, diminuímos a velocidade, para que pudéssemos sentir o cheiro, o viço e o gozo de nossos corpos colados.

Sunday, July 22, 2012

Coração Sagrado


Coração Sagrado


Uma dinâmica para o desprendimento, 2012



Já tinha se exaurido
De minhas memórias rápidas
O calor vivaz
que habita em meu coração
Longe das paixões palpitantes
Amor é Sol
Inesgotável
Queimando como fogo
As coisas Sagradas que habitam em mim

Faz-me pensar
Reverenciada
Dentro de mim mesma
Assentada em trono flamejante
Amor é Dádiva 
Para qualquer um

Sinto grande força
Inexorável
Prezo pela tua morada
Te sinto
Em ti existo
Somos Amor

Escorpião/Fênix


Escorpião/Fênix


Improviso n.1, 2012



Já reluz no horizonte

O sagrado Luto
De uma vida em casulos
Cavernas e buracos
E lágrimas de compaixão
Não sei como sairei dessa
Viverei a morte
Na esperança de que venha a Fênix

Eclipse


Eclipse

Graça, 2011





Uma intensidade Real


vive calada

e solitária por detrás de minha face

Transpareço só o aceitável

Para um mundo cheio de regras

E privações do que se deve ser




Licença poética pedi a Oxalá

para poder existir próxima e possível

Perto de mim mesma




E por respeito a esta moral

Tive de criar entre eu e você

A aura dos meus segredos

Realeza Sutil

Anti esse social

Minha verdade 

Minha história

Indecifrável

Para pisantes do chão

Ninguém nunca soube me ver



Houve um dia somente 

Corações abertos

Daqueles que pelo além pairam

Me perguntaram

- É você?

E fui feliz

Porque já houve esse dia