Saturday, January 14, 2012

Sopro da Simplicidade



Existe uma simplicidade inerente à rasgar-me as entranhas
E a ti eu te peço ó Simplicidade
que me és tão querida mesmo em devaneios
Esteja comigo sem parcimônia
pois em teu Ser eu me acolho em perfeita mente

E a ti reflito, em cada gesto
em cada manifesto
Incompreensível talvez para formas e olhos
Mas penetrável em tudo que é espaço
Sobretudo nos sutis 
Aonde domina poderosa em tua naturalidade

Pois se és aroma quase imperceptível
Sei; nunca sequer deixou de existir
Apesar das relapsas sensibilidades
de um mundo de desejos infrutuosos
És presença cativa
Nos tronos da realeza do tudo que é Amor


Integração 150X68 Acrílico sobre tela


Inspiração da Meia Noite

O feminino, é tudo, é nada
O paradoxo, infinito, caótico
O mistério, Mulher, reticências
O profundo, sorrateiro, vôo rasante
O delicado, sutil, perfume

Eis o meu mistério
Para o masculino refinado
Não rasga estas entranhas!
Respeita o tom, é delicado...

Vasculha as reticências
Em masculino aprumado
Não te perdes no meu plural
És homem; enlouquece-me com tuas certezas.





Síntese 150X50 Acrílico sobre tela. 



Tuesday, September 13, 2011

Oração ao Amor

Que o Amor seja o cavalo que te guia dentro da liberdade
Que o amor seja o teu escudo diante do medo
Que o amor seja a certeza que te liberta da dúvida
Que o amor seja a chave que abre as portas da Tua Verdade
Que o amor seja o instrumento que lapida teus sonhos
Que o amor seja a ciência que conduz tua pesquisa
Que o amor seja o encanto que anima tua Natureza
Que o amor seja o compreender que te eleva dentro de Ti
Que o amor seja o balsamo que transmuta tua culpa
Que o amor seja a corrente que movimenta o Rio da Vida 
Que o amor seja o espelho que acolhe tua Luz
Que o amor seja a morte que te faz renascer em leveza
Que o amor seja a ideia que guia teus raciocínios
Que o amor seja o ritmo que embala teu caminhar
Que o amor seja o a única mala para quando for viajar
Que o amor seja a luz que te reconecta com Tua Sabedoria
Que o amor seja Você, pois foi assim que Deus te fez!


Georgia em 12.9.11



Sunday, August 14, 2011

Morrer para renascer


Um dia, um nada que existia
E que da boa vontade se faz nascer
porque das entranhas tudo se pode criar
Um nascer visceral, emergente e flamejante
que se lança e se projeta em direção aos caminhos da vida
um crescer e se construir
colhendo os pedaços de chão que adornam o caminho
Até um reencontro
que de uma infinito refletido
me esparrama em beleza no chão
e desse caminhar e construir tão longo
tudo abandonar
de todo se entregar
para então de uma provavél morte
refinada renascer
fina flor transcendente
desbravando todo o oriente
o céu Todo para as minhas asas

Saturday, July 16, 2011

Convite de um marujo




Eu sei que nois veio aqui porque nos gosta mesmo é de brincar. E é jogando e misturando que as possibilidades vou embaralhar. Até que o riso venha faceiro e nas gargalhadas vou me embalar. Porque se veio em minha casa, no meu jogo vamo joga. De ser pirata e marujar, caçar tesouro e guerrear.

E pra brincar com meus brinquedos, vamos juntos, vamos lá. Eu já trouxe minha jangada que é pra nois não se afundá. Vamo nessa meus amigos, vamos tudo navegar, é a Sereia, Mãe Menina que vem vindo nos guiar. Meu avô seu pescadô já vem chegando pra lembrar: que é  com ouro e com riquezas que nois vamo volta do alto-mar.

Deixe comigo meu amigo, eu já aprendi a manejar. Você, marujo, olhe no fundo, olhe lá dentro do mar. Veja lá, olhe se ouro vê brilhar. E se no fundo num enxergar, veja esse grande tesouro que o Criador fez antes do mar, é você, moça bonita que no reflexo Mãe Iemanjá, me mostrou o que só Ela sempre soube em ti olhar.

Deixa Ela, ô sua menina, a Mãe Sereia vir brincar,  vir conosco, reluzir sua beleza e te ninar no seu banhar. Mostrar ouro, mostrar riqueza, tudo dentro do teu olhar. Olhe bem, moça menina, é tudo manha pra num enxergar. De tanto céu, tanta beleza,  de você mesma dá pra lembrar.

Vamos lá meu povo amigo, a brincadeira só tá pra começar. Você vem ô seu minino, sê meu marujo e navegar, que no meu mar, sem desatino, as minhas historias vou te contar. Vamo junto, vamo achar, e cheio de ouro, todo mundo pra casa voltar.

Thursday, July 7, 2011

Ritmando o prazer


Roma, inverno 2009


Eu penso em desacelerar meus compassos para comer o encantamento do caminhar. E no desacelerar dos meus passos encontrar o tempo de ver as flores e as musicas que irão tocar e uma possível materialização subliminar.
Do tiro que se lança ao alvo, da vontade de se chegar, me pergunto como fazer para mandar a bala ir devagar, como ligar a câmera lenta do meu desejo de chegar ao alvo. Para que esse desejo flamejante se transforme em pedaços repartidos de querer e dessa forma sentir o prazer em cada passo da estrada. Ao invés do imediatismo instantâneo de um querer-e-ser. O desejo que aprende compassado a andar sob todas as esferas e em cada uma aprender a ser desejo e prazer em cada pedaço de vida.

E assim aprender a andar, não mais como tiro de escopeta, mas como flecha brejeira que vai na força do muque. Não mais arma de fogo, mas arma de terra, de gente mesmo, de ser humano. Que sai do meu desejo em movimento, cortando caminhos, desviando arvores, sobrevoando riachos e furando brisas suaves até chegar aonde se quer. Um desejo paciente, de índio, não mais o desejo sanguinário tecnológico, sem desespero de chegar.


Ir pelo caminho de terra, no prazer de vida e natureza que se prepara e se qualifica em cada existência representada. O prazer de ser fogo, de ser mata, de ser água, de ser vento e o melhor prazer, o prazer de ser o que se quer ser.


Andando vou pelo caminho de pedra, caminho de terra.Todo pronto, não preciso ir voando. Devo ir andando. Meus amigos já pousaram no caminho as surpresas do caminho, seu prazer de me encantar com seu amor quando as fitas tornarem-se douradas pelo Sol, e entre as pedras as flores nascerem quando as canções tocarem. O caminho que já é pronto, mesmo sabendo que no final tem um pote de ouro e que se pode voar e furar o tempo, é preciso andar e cantar para cada centímetro de cor que na estrada se apresentar. Para que o prazer não se esgote no chegar, mas que se transforme em prazer de viver todos os instantes até o chegar. E ao tirar cada capa, revelar a Beleza tão diretamente encaminhada e cuidadosamente amada.   

E de tão bom que são, anjos e luzes já jorram seus feixes e nessa claridade, permissão tenho eu de ver a sutileza dos encontros, fogo iluminado que existe aqui sendo o prazer da entrega à Luz.  Do construir luzes, dividir essências, tão mais amplas que a paixão. Assim vejo que da paixão ainda feroz, no pote de ouro se vê a concretização da ternura. Um desejo que até então cego quis queimar as matas por não ter ainda entendimento que se enamorou pelo Sol e que na concretização desse encontro, o que há de haver é uma unidade. Por isso então tanto querer, pois dentro das minhas memórias, minha paixão pelo Sol sempre foi arrebatadora e o único sentido que encontrei para amar tanto assim e querer tanto assim foi ver o Sol na minha frente e a certeza de levar o meu desejo selvagem aos pés dessa Luz.
Então respeitarei a necessidade do sigilo e das capas para que cada uma seja revelada em seu devido momento independente do meu desejo feroz de já querer ser. Esperarei o caminho do desejo em direção ao Sol se construir e se revelar para que a paixão ganhe olhos, boca, ouvidos e tudo que for necessário para se compreender e sentir e transar e lamber cada sentido e gosto desse caminho encantado.