Desabafos amorosos
Não me interessa camuflar imperfeições
Nem bancar muralhas que eu jamais virei a ser
Sigo verdadeiramente cansada de achismos antiquados
Recheados de velharias
Minha casa preservo com o mínimo de quinquilharia
Abandonei as repulsas
Me desfiz de adagas
Não há mais grades que forcem meu grito revolto
Não luto nem brigo mais diante das injustiças
A fogueira da heresia finalmente se apagou
Não há mais do que me proteger
Já desisti de ser esse tipo de guerreira
Caminho paciente em nova mente
E apenas choro meu alívio meio desnorteada
Diante de alguns espaços criados
Que minha consciência jamais caminhou por lá
Alivio meu coração no instante do segundo
Não convém dar compasso a máscaras em nenhum desabrochar
O cotidiano do meu pulsar é captado por qualquer um que de abraços precisar
Meu colo aberto foi Deus quem me mandou criar
E assim encontrei o amor diante dos abandonos consistentes
Se não houvesse a escuridão eu jamais buscaria em mim essa luz
E é só por isso que nunca mais deixarei de amar
Georgia, 2017
Saturday, January 21, 2017
Água de peregrino
Água de peregrino
Pela força das circunstâncias
A vida me lançou rumo ao meu coração
O amor não se pode racionalizar
Nem entendido a partir de incoerentes interpretações
A água viva só é sentida pelos que tem sede
Caminhando desertos amuados
Corpo cansado depois de tanto açoite
Guardei em todas bromélias água a se doar
O milagre que conduziu os viajantes
No silêncio que só o sentimento sabe captar
Não é possível perceber o milagre quando não se tem sede
Os peregrinos sim
Sedentos por horizontes
Desafiam a própria morte em busca da liberdade
A misericórdia não esperou recomendações
Nem autorizações para ser decifrada
A vida é quem nasceu urgente
Espinhenta como os cactus sertanejos
Nunca deixou de florir mesmo sem cabimento ou consideração
Pois o valor da água só conhecem os que tem sede
Há que se espetar a mão dos desavisados
Pois a urgência da vida nunca pode se deixar pra lá
Todo aquele que atravessa o desconhecido
Sabe o valor que existe na água dada a todo peregrino
Georgia, 2017
Pela força das circunstâncias
A vida me lançou rumo ao meu coração
O amor não se pode racionalizar
Nem entendido a partir de incoerentes interpretações
A água viva só é sentida pelos que tem sede
Caminhando desertos amuados
Corpo cansado depois de tanto açoite
Guardei em todas bromélias água a se doar
O milagre que conduziu os viajantes
No silêncio que só o sentimento sabe captar
Não é possível perceber o milagre quando não se tem sede
Os peregrinos sim
Sedentos por horizontes
Desafiam a própria morte em busca da liberdade
A misericórdia não esperou recomendações
Nem autorizações para ser decifrada
A vida é quem nasceu urgente
Espinhenta como os cactus sertanejos
Nunca deixou de florir mesmo sem cabimento ou consideração
Pois o valor da água só conhecem os que tem sede
Há que se espetar a mão dos desavisados
Pois a urgência da vida nunca pode se deixar pra lá
Todo aquele que atravessa o desconhecido
Sabe o valor que existe na água dada a todo peregrino
Georgia, 2017
Índia descolonizada
Índia descolonizada
De todos os riscos que envolvem a liberdade
Caem os cascalhos no chão que aterrorizam as multidões
Não posso mais me doar com sacrifícios
Nem há luz no que me seduz por medo
Busco apenas conexões sinceras
Dessas que não há racionalidade para explicar
Porque algo sem culpas simplesmente é o que é
Não queimo mais na fogueira cristã
O diabo que me perseguiu morreu de febre terçã
Não há mais a possibilidade de abandonos
O favoritismo não se contrasta mais com o ser-submisso
O caminho do meio traz de volta a liberdade
Não proclamo austeridades
Apenas me destaco de exagerados contrastes
Da irresponsabilidade que não me enaltece
A maturidade das perdas oferece a melhor oferenda
De que nenhuma infantilidade foi capaz de suportar
A ousadia que apenas as sutilezas são capazes de ancorar
O fogo autêntico que brota da minha natureza
Já cansei de me movimentar pela força dos chicotes
Não há transparência em nenhum índio preso em nevoeiros
Hoje me devolvo a mim mesma
E compreendo as rebeldias que se desapegam
De toda uma ancestralidade guerreira presa em cativeiros
Minha liberdade indígena que demorei tanto pra captar
Presa a tantos conceitos emprestados
Sofri demais amarrada a tanta catequese
Caminho no mato novamente que mora dentro de mim
A maior liberdade que corre em minhas veias
É aquela que brota de dentro da natureza
Não me estranho mais com minha selvageria
Meu grito alforriado não há mais o que revirar
Meu horizonte une os mundos que carreguei dentro do meu ser
Me cederam a força dos viajantes
Pra que em algum momento eu lembrasse a liberdade de um índio
Que aqui esteve antes de se colonizar meu verdadeiro Brasil
Georgia, 2017
De todos os riscos que envolvem a liberdade
Caem os cascalhos no chão que aterrorizam as multidões
Não posso mais me doar com sacrifícios
Nem há luz no que me seduz por medo
Busco apenas conexões sinceras
Dessas que não há racionalidade para explicar
Porque algo sem culpas simplesmente é o que é
Não queimo mais na fogueira cristã
O diabo que me perseguiu morreu de febre terçã
Não há mais a possibilidade de abandonos
O favoritismo não se contrasta mais com o ser-submisso
O caminho do meio traz de volta a liberdade
Não proclamo austeridades
Apenas me destaco de exagerados contrastes
Da irresponsabilidade que não me enaltece
A maturidade das perdas oferece a melhor oferenda
De que nenhuma infantilidade foi capaz de suportar
A ousadia que apenas as sutilezas são capazes de ancorar
O fogo autêntico que brota da minha natureza
Já cansei de me movimentar pela força dos chicotes
Não há transparência em nenhum índio preso em nevoeiros
Hoje me devolvo a mim mesma
E compreendo as rebeldias que se desapegam
De toda uma ancestralidade guerreira presa em cativeiros
Minha liberdade indígena que demorei tanto pra captar
Presa a tantos conceitos emprestados
Sofri demais amarrada a tanta catequese
Caminho no mato novamente que mora dentro de mim
A maior liberdade que corre em minhas veias
É aquela que brota de dentro da natureza
Não me estranho mais com minha selvageria
Meu grito alforriado não há mais o que revirar
Meu horizonte une os mundos que carreguei dentro do meu ser
Me cederam a força dos viajantes
Pra que em algum momento eu lembrasse a liberdade de um índio
Que aqui esteve antes de se colonizar meu verdadeiro Brasil
Georgia, 2017
Estrada da liberdade
Estrada da liberdade
Só as pedras podem dar sustentação a quem nasceu tão livre
Encontro em todas estradas outros como eu
Se não fosse a estrada eu não seria vocês
Se não fossem meus pés no chão vocês não se cruzariam em mim
Preciso de estradas para encarnar minha liberdade
Ser um alguém que vive a perambular
Só assim posso deixar o rio fluir
Tudo vem a mim
E só assim me chega o tempo da fluidez
A estrada é quem nos leva
E as correntezas quem nos carregam
Ao lado de infinitas pedras
Que amparam e sustentam nossa tamanha liberdade
Paredões montanhosos são nossos ninhos
Daqueles que nasceram para além da permissão poder voar
E só assim se conectar com a mais autêntica fluidez
De todo rastro que me conduz
Para em eterna confiança minha leveza me abraçar
Georgia, 2017
Só as pedras podem dar sustentação a quem nasceu tão livre
Encontro em todas estradas outros como eu
Se não fosse a estrada eu não seria vocês
Se não fossem meus pés no chão vocês não se cruzariam em mim
Preciso de estradas para encarnar minha liberdade
Ser um alguém que vive a perambular
Só assim posso deixar o rio fluir
Tudo vem a mim
E só assim me chega o tempo da fluidez
A estrada é quem nos leva
E as correntezas quem nos carregam
Ao lado de infinitas pedras
Que amparam e sustentam nossa tamanha liberdade
Paredões montanhosos são nossos ninhos
Daqueles que nasceram para além da permissão poder voar
E só assim se conectar com a mais autêntica fluidez
De todo rastro que me conduz
Para em eterna confiança minha leveza me abraçar
Georgia, 2017
Sobre ser só mais um
Sobre ser só mais um
A alegria mais simples
Aquela que se contém em ser apenas mais um
O especial se esconde atrás do medo
A simplicidade não precisa de reinados
O único trono repousa em meu coração
Não me falta amor
Não importa a intenção
Nem me interessa a dimensão
Diversas maneiras de se amar
Amar a si para só assim então poder o outro amar
Cada vez com mais profundidade
A liberdade me penetra sem economias
Transformou no hoje
E removi com alegria meus cascalhos
O amanhã diamantino nos contentará
O brilho que só a lapidação é capaz de nos dar
A libertação está contida em toda qualificação
Meu ego se desprende com felicidade
Ser só mais uma é minha maior afetividade
Pois só assim seremos UM
Georgia, 2017
A alegria mais simples
Aquela que se contém em ser apenas mais um
O especial se esconde atrás do medo
A simplicidade não precisa de reinados
O único trono repousa em meu coração
Não me falta amor
Não importa a intenção
Nem me interessa a dimensão
Diversas maneiras de se amar
Amar a si para só assim então poder o outro amar
Cada vez com mais profundidade
A liberdade me penetra sem economias
Transformou no hoje
E removi com alegria meus cascalhos
O amanhã diamantino nos contentará
O brilho que só a lapidação é capaz de nos dar
A libertação está contida em toda qualificação
Meu ego se desprende com felicidade
Ser só mais uma é minha maior afetividade
Pois só assim seremos UM
Georgia, 2017
A voz quando toca
A voz quando toca
"Aquele versinho que me tocou
em partes e pontos tão relevantes
existentes no que me faz de verdade viver
Experiências que ainda não sabem ser líricas
E por serem tão vivas
como ventos, brisas e furacões
abriram-se cadeados, portas e janelas
E dentro de mim ouviu-se uma orquestra inteira
Sonorizada por anjos, arcanjos e querubins
Que vivem e esperam o momento à se revelar
Nessa fusão de infinitudes possíveis
Quando momentos e pessoas os vêem, os tocam
E os convidam para dançar a Vida na superfície
do meu Oceano Estelar."
"Aquele versinho que me tocou
em partes e pontos tão relevantes
existentes no que me faz de verdade viver
Experiências que ainda não sabem ser líricas
E por serem tão vivas
como ventos, brisas e furacões
abriram-se cadeados, portas e janelas
E dentro de mim ouviu-se uma orquestra inteira
Sonorizada por anjos, arcanjos e querubins
Que vivem e esperam o momento à se revelar
Nessa fusão de infinitudes possíveis
Quando momentos e pessoas os vêem, os tocam
E os convidam para dançar a Vida na superfície
do meu Oceano Estelar."
Renascimento laboral
Renascimento laboral 🕊
Nunca o início está como o vi pela última vez
Voltar no começo nunca traz de volta a mesma direção
Na fonte tudo muda em todos os tempos
E faz em mim brotar uma vida que tudo mudará
Na fortaleza da minha natureza
Sempre estou a me reformular
Nunca renasço para apenas continuar
Renascer envolve infinitas direções
Abre o fluxo para novíssimas mutações
A fonte que em mim habita não apenas me reernegiza
É a mais fina flor que meu espírito dinamiza
O cheiro de asfalto nunca me inquieta da mesma maneira
Contrasta a natureza que habita em mim
E me faz ir além de diversas fronteiras
O perfume do amor é fato consumado na nascente das corredeiras
Cristalização inevitável pra quem é predestinado a viver em incessantes piracemas
Benditas transformações que se anunciam no horizonte
Na correnteza natural já correm os peixinhos em plena maturação
Descendo o rio das belezas
Sigo perfumada com as flores que dão vida ao meu sertão
Meu corpo segue amado pelas pedras que se eternizam no tempo
E meu seio sem véu
É a porta aberta da morada do céu
Meu peito voa ao léu sem medo
Me sinto de verdade como um avião de papel
Nada embarreira a leveza do meu ser criança
Sou menina do rio correndo nas estradas
Eu sou de todos os lugares
Minha família está em todas lamparinas que alumiam o coração
Estou aberta
Eu sou criança
Eu sou o novo
De novo
No ovo
<3
Georgia, ainda em 2016
Nunca o início está como o vi pela última vez
Voltar no começo nunca traz de volta a mesma direção
Na fonte tudo muda em todos os tempos
E faz em mim brotar uma vida que tudo mudará
Na fortaleza da minha natureza
Sempre estou a me reformular
Nunca renasço para apenas continuar
Renascer envolve infinitas direções
Abre o fluxo para novíssimas mutações
A fonte que em mim habita não apenas me reernegiza
É a mais fina flor que meu espírito dinamiza
O cheiro de asfalto nunca me inquieta da mesma maneira
Contrasta a natureza que habita em mim
E me faz ir além de diversas fronteiras
O perfume do amor é fato consumado na nascente das corredeiras
Cristalização inevitável pra quem é predestinado a viver em incessantes piracemas
Benditas transformações que se anunciam no horizonte
Na correnteza natural já correm os peixinhos em plena maturação
Descendo o rio das belezas
Sigo perfumada com as flores que dão vida ao meu sertão
Meu corpo segue amado pelas pedras que se eternizam no tempo
E meu seio sem véu
É a porta aberta da morada do céu
Meu peito voa ao léu sem medo
Me sinto de verdade como um avião de papel
Nada embarreira a leveza do meu ser criança
Sou menina do rio correndo nas estradas
Eu sou de todos os lugares
Minha família está em todas lamparinas que alumiam o coração
Estou aberta
Eu sou criança
Eu sou o novo
De novo
No ovo
<3
Georgia, ainda em 2016
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